Henrique Bezerra
Martins
Henrique Bezerra
Martins

“Quando Henrique Bezerra me pediu para fazer uma análise crítica e, se eu gostasse do livro, escrever a orelha, fiquei apreensivo. Isso porque se tratava de um romance em versos livres, algo pouco usual na literatura brasileira.
Porém, conforme eu avançava na leitura, o temor foi sendo substituído por entusiasmo. Era como seu eu abraçasse a ousadia do autor e me colocasse, com ele, a tricotar as palavras.
Pegando emprestadas as agulhas de Guimarães Rosa, para quem a vida é um rasgar-se e remendar-se, Bezerra costura linguagem poética a um enredo bem estruturado. Por entre as estrofes de Para a nascente correm todos os rios, conseguimos vislumbrar que viver é estar imerso nesse processo de perdas e reconstruções. E que vida e morte são indissociáveis, como os botões de madrepérola que precisam das casinhas (ou buracos) na outra face da blusa para fazerem sentido.
A certa altura, o protagonista da trama afirma: Tento torcer esses retalhos / para refazer o caminho, / e uma voz me guia / por entre esses nós. A voz a guiar Henri por entre os ‘nós’ é a voz de Ariadne, que oferece seu fio para que ele possa prosseguir pelos labirintos da existência. Não por acaso, ‘texto’ e ‘tecido’ têm a mesma raiz etimológica: escrever é tecer caminhos possíveis.
Sim, em seu segundo livro (o primeiro é O caminho do vento), com suas agulhas literárias, Bezerra entrelaça vidas (laços de família, diria Clarice Lispector) de tal modo que nós, leitores e leitoras, em coro com Henri, concordamos que a função essencial dos livros é nos ensinar / a costurar / os pedaços.
A costurar os nossos pedaços. Afinal, em remendos, / somos apenas retalhos / de um tecido de tudo. / Mas, na sutura, / somos inteiros.”
– Matheus Arcaro, escritor

“O leitor depara-se com uma obra que nos provoca. Essa provocação nos coloca o desafio de ouvir o que pode estar oculto. “O Caminho do Vento”, de P. H. Martins, não apenas narra a jornada de escuta dessa provocação na vida do personagem, mas também se torna uma provocação para a vida do próprio leitor. João é um homem simples, cuja vida é permeada por desventuras, e que encontra no desespero a possibilidade da esperança. As atribulações cotidianas de João o conduzem a uma reflexão profunda sobre si mesmo, sua posição no mundo e seus laços afetivos. Quanto mais busca por respostas, mais formas de angústia ele encontra. No entanto, é quando a vida se torna atribulada que ela pode se converter em esperança, e é aí que o sentido da existência pode ser alcançado. João é instigado a buscar o propósito de sua vida, e essa é a principal missão deste livro: provocar-nos a buscar o significado de nossa própria existência. Definitivamente, esta é uma leitura destinada àqueles que buscam pela esperança.”
– Felipe Souto, filósofo